sábado, 19 de setembro de 2009

Uma Luz Azul no deserto de Oaxaca, no Mexico

Exatamente no dia 07 de Março de 1970 me encontrava eu em pleno deserto de Oaxaca, no Sul do México. Fazia vários dias e semanas que estava longe de qualquer meio de comunicação. Caminhava eu , so naquela época, com uma mochila nas costas, pela longa estrada que atravessava o deserto. O som de minhas botas batendo no chão , faziam eco e se perdiam na imensidão, a poeira e o sol criava as vezes sombras que dançavam de acordo a direção de meu caminhar , me dava a impressão que estava em outro planeta , que aquilo, não acontecia na Terra, senti de repente que eu fazia parte de tudo isso, um sentimento de felicidade inundou meu ser por completo,caminhei mais rapidamente ate uma pedra que estava perto da estrada e que me chamava com uma voz silenciosa e profunda.
Sentei naquela pedra e descarreguei a minha mochila, procurei o resto da água que levava em um velho cantil do exercito americano que tinha comprado em Panamá , molhei meus lábios e respirei profundamente. Nesse momento mágico, em plena tarde, sem nuvens no céu, de repente, o sol começou a ficar escuro e uma sombra azulada tomou conta do deserto, parecia uma imensa garra de águia que a seu passo ia carregando espíritos, sombras e essências das pouquíssimas plantas , cactos em sua maioria que imploravam continuar vivendo. Um tremor recorreu meu corpo, uma mistura de temor e respeito por aquilo que não compreendia me fez fechar os olhos, na procura talvez do espaço seguro, do aconchego interior. Nesse instante profundo, na imensidão do deserto, a magia da vida me integrou nos seus processos , um instante de escuridão, trouxe a luz azul clara e brilhante para dentro de mim, senti que entrava em comunhão com as pedras, as plantas, o deserto, os poucos pássaros que de longe anunciavam a interrupção da luz solar, com a poeira que o vento levantava por momentos...
Abri meus olhos quando senti que a luz voltava, que o sol brilhava sobre minha cabeça novamente, o calor da vida inundava meu ser, agradeci, agradeci , agradeci incansavelmente, peguei minha mochila e continue caminhando , de alguma forma , em longos minutos, tinha sido tocado pelo poder desconhecido da consciência do deserto, que acordava antes do tempo ... Não sabia eu , que por “causalidade”, exatamente nesse dia, acontecia um eclipse solar total no hemisfério norte...